UBS prevê duas altas de juros do Fed este ano após os sinais hawkish de Warsh
O UBS acredita que o Federal Reserve (Fed) poderá elevar sua taxa básica de juros duas vezes antes do fim do ano, nas reuniões de setembro e dezembro. A revisão das projeções, liderada por Jonathan Pingle e Abigail Watt, reflete os sinais hawkish enviados pelo presidente do Fed, Kevin Warsh, durante o simpósio de Jackson Hole, além do forte relatório de emprego de agosto. Os estrategistas afirmam que Warsh efetivamente desafiou o mercado. E, com sua credibilidade em jogo, o presidente do Fed pode ter poucas alternativas além de respaldar sua retórica com um aperto monetário efetivo.
A mudança de avaliação ocorreu após o alerta de Warsh de que os formuladores de política monetária precisam estar “confiantes” de que a inflação subjacente retornará à meta de 2% “de forma clara e em um ritmo suficiente”. Caso contrário, acrescentou, eles “terão trabalho a fazer”. O presidente do Fed também reiterou que os juros continuam sendo a principal ferramenta de política monetária do banco central. O UBS, porém, ressalta que seu cenário-base de duas altas de 25 pontos-base não é garantido e continua dependente dos dados, já que uma surpresa negativa no relatório do CPI de agosto poderia mudar completamente as perspectivas.
Atualmente, os contratos futuros apontam uma probabilidade de aproximadamente 60% de uma alta de 25 pontos-base em setembro. Essa precificação foi reforçada pelos dados de emprego divulgados na semana passada. O relatório mostrou a criação de 162 mil vagas, bem acima do consenso, confirmando a resiliência do mercado de trabalho dos EUA.
O UBS acredita que a decisão de setembro representará um difícil dilema para o presidente do Fed, que precisará conciliar as prioridades de política monetária declaradas com a precificação do mercado, as oscilações dos rendimentos entre as reuniões e as diferentes opiniões entre os membros do FOMC.