Scott Bessent prevê dissolução da OPEP após o fim do conflito no Oriente Médio
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, declarou que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) deverá se dissolver assim que a situação no Oriente Médio for normalizada. Segundo a RIA Novosti, o secretário do Tesouro argumentou que os preços atuais da energia estão artificialmente elevados devido ao conflito prolongado em torno do Irã, mas, à medida que as tensões geopolíticas diminuírem, o cartel perderá sua influência sobre a formação dos preços. “Um dia... a situação no Oriente Médio será resolvida, e a OPEP se desintegrará”, afirmou o responsável pela política econômica.
Scott Bessent compartilha da mesma visão do presidente dos EUA, Donald Trump, que há muito tempo descreve o grupo, fundado em 1960, como um cartel ilegal que enfraquece os princípios do livre comércio. Washington espera que distorções estruturais e o crescente descumprimento das cotas levem à desintegração interna da organização. Os primeiros sinais de instabilidade dentro do grupo já surgiram na primavera de 2026, quando os Emirados Árabes Unidos anunciaram formalmente sua saída da OPEP e do acordo OPEP+, passando a aumentar a oferta de forma independente.
A coesão da aliança poderá sofrer um novo golpe com perdas na América Latina. Após relatos de que as reservas de petróleo da Venezuela estão sob controle de fato dos EUA após a captura do presidente Nicolás Maduro, as autoridades interinas de Caracas começaram a considerar uma saída da OPEP. A saída de importantes exportadores e uma enxurrada de oferta nos mercados mundiais após o arrefecimento das tensões militares na região poderiam privar o cartel de seus mecanismos de gestão das cotas e, em última instância, tornar ineficazes os cortes coordenados de produção.